A melhor homenagem é feita em vida

O dia amanheceu triste em solo brasileiro. Uma nação inconsolável em função de um dos maiores – se não o maior – acidente esportivo da história. Os noticiários não falam de outra coisa. Um clube, o Chapecoense, teve a trajetória interrompida por um desastre aéreo que ficará gravado em nossa história.

A comoção é geral e desde que o acidente foi noticiado, nas primeiras horas da manhã, só se fala em como o grupo estava feliz com os últimos resultados e que estava prestes a conquistar o primeiro grande título de sua história. As histórias individuais também começaram a ser contadas, afinal, cada vítima deixou amigos e familiares inconsoláveis.

Tragédias como esta, bem como mortes inesperadas – como a do cantor sertanejo Cristiano Araújo, geram em nós uma comoção maior que quando, por exemplo, morre uma pessoa em idade já avançada ou que há tempos sofria de alguma doença. O fator “tragédia” e se envolve um grande número de vítimas – como neste caso e o da Boate Kiss, em Santa Maria – então, a comoção se intensifica.

Por meio desses episódios passamos a conhecer pessoas antes desconhecidas ou não tão conhecidas assim. E a tristeza abate ainda mais nossos corações quando conhecemos a família de cada um, a história de superação, o filho que nasceu recentemente ou o casamento que havia acontecido há poucos meses. Individualizamos as vítimas e depositamos para cada uma a parcela de sofrimento que nos é cabida.

Em tragédias como esta, somos capazes de olhar para o outro em sua totalidade. Admiramos, vangloriamos, os tornamos heróis. Rendemos homenagens e concedemos títulos. Aprendemos, mesmo que por poucos dias – enquanto os noticiários ainda mantêm viva a notícia da tragédia -, a voltar o nosso olhar para o indivíduo, valorizando suas conquistas e aplaudindo as iniciativas que teve em vida, afirmando para nós mesmos o quanto aquela perda é irreparável. Nos emocionamos com as histórias e nos solidarizamos.

E a vida?

O mais curioso é que a grande maioria nós só consegue viver essa experiência em situações de tragédia. Temos olhado para quem está ao nosso lado em sua totalidade? Estamos admirando, vangloriando e concedendo o título de herói ou heroína? Temos valorizado as pessoas com quem vivemos e convivemos, aplaudindo suas conquistas? Temos nos emocionado e solidarizado?

Tragédias como essa, ocorrida com o time da Chapecoense, nos trazem uma grande lição: não tem como voltar ao passado!

Será que familiares e amigos das vítimas os enxergavam cada um em sua totalidade? Será que os tornavam heróis e demonstravam admiração pelas conquistas diárias? Se sim, essa é a homenagem que mais vale no coração de quem fica!

As homenagens póstumas são válidas e precisam ser feitas até como forma de alívio da dor, mas se essas homenagens vieram só agora e não foram feitas em vida, as póstumas funcionarão como uma muleta que te ajuda a caminhar até você conseguir andar sozinho, encarando a realidade: não fiz isso em vida, e agora não há mais o que fazer!

Pode ser uma conclusão clichê, mas quantas vezes teremos que passar por isso para aprender a valorizar as pessoas em vida? E não me refiro a apenas dizer “eu te amo”.

Você tem manifestado sua admiração por alguém? Tem reconhecido os esforços de quem busca melhoria, tem incentivado? Tem comemorado as conquistas de quem você ama ou apenas parabenizado com um singelo “você merece”?

Deixo aqui um desafio: olhemos quem nos rodeia em sua totalidade. Reconheçamos as conquistas, os esforços e as ideias. Manifestemos nossa admiração e apoio. Tudo isso terá muito mais valor em vida, pode ter certeza!

Entusiasme e torne alguém mais feliz!

Humberta Carvalho

 

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