Síndrome do Pânico – Parte 3: A primeira crise

O final de semana ia ser de aula. Era o meu primeiro módulo na pós-graduação e eu conhecia apenas algumas pessoas, entre elas colegas de trabalho que haviam escolhido o mesmo curso. Tudo corria bem. Meu sorriso já estava voltando ao normal e os sintomas da paralisia facial eram quase imperceptíveis. Era quase meio-dia. Eu estava vidrada na aula, anotava tudo que a professora falava. Não havia nenhum indício de que aquele seria um dos piores dias da minha vida. O intervalo para o almoço já ia começar e a professora estava apenas combinando o horário de retorno para nos liberar. Foi naquele momento em que senti uma súbita falta de ar.

Pedi a colega ao meu lado um copo d’água, mas a voz saiu falhada. Ela perguntou se eu estava me sentindo mal e eu confirmei apenas fazendo um aceno com a cabeça. Não deu tempo de a água chegar. A única coisa que me lembro foi que de repente meu coração disparou e eu só tinha uma certeza: ia morrer!

Antes que eu não conseguisse mais conversar, chamei meu colega de turma, que na época também era meu colega de trabalho. Eu havia contado a ele, anteriormente, sobre o episódio da semana anterior. Mais que depressa, ele chegou ao meu lado e eu pedi que ele ligasse para o meu neurologista. O papel com o contato estava em minha bolsa. Nessa altura, meu corpo parecia não ser meu. Além da falta de ar e da taquicardia, meu corpo foi acometido por um formigamento. Tudo formigava, do couro cabeludo, passando pela língua, até os dedos dos pés. Não bastasse, perdi o movimento das mãos. Meus dedos se enrolaram, de modo que eu não conseguia mais esticá-los. De tudo que passei naqueles dois minutos, isso foi o mais assustador.

“Meu Deus, por que eu? Por que comigo? O que eu fiz? Tem misericórdia de mim! Não quero morrer tão jovem. Acabei de me casar, quero viver tanta coisa ainda, tenho tantos planos. Me perdoe se fiz coisas erradas, eu não gostaria que acabasse assim… Por favor!”

Tudo aconteceu muito rápido e quando percebi, estava deitada no chão da sala e meus colegas em volta tentando me socorrer. Eu transpirava e tremia, sem controle da minha respiração, do meu coração e das minhas sensações. Eu só pensava que minha hora havia chegado e eu estava infartando. A qualquer momento meu coração ia parar, eu ia perder os sentidos e… E fim! Fim da minha trajetória nesse mundo. Trajetória tão curta. Eu ainda tinha tanto a viver…

A orientação dada ao meu colega foi que ele me levasse com urgência para o Hospital Neurológico. Ele me tomou pelos braços e saiu apressado. Naquele dia eu estava de vestido. Lembro até hoje que uma das funcionárias da instituição pediu que ele esperasse, pois iam buscar um pano para tapar minhas pernas. Mas o que era deixar a calcinha à mostra enquanto se estava morrendo. Pedi que não esperassem. “Por favor, me levem para o hospital. Eu não importo com isso, só não quero morrer!. Até seria engraçado, se não fosse trágico.

A caminho do hospital os sintomas se agravaram. Eu já não sentia minhas mãos e minhas pernas. Minha língua formigava tanto, que eu estava perdendo o controle dela. Achava que ia babar. Minhas mãos imóveis, só se retorcendo, mais e mais. “Será que volto ao normal?”

Chegando ao hospital, mais que depressa me colocaram em uma cadeira de rodas e correram para dentro. Meu colega – que hoje é um grande amigo – pegou meus documentos na bolsa para apresentar na recepção, pois meus dedos não se moviam. Pedi meu amigo para ligar para o meu marido. “Eu tenho que pelo menos vê-lo antes de morrer!”

A enfermeira me levou para uma sala, onde me despiu e colou em mim uma série de adesivos para fazer um eletrocardiograma. Mediu também a glicose e depois me cobriu, pois eu tremia e suava excessivamente, mas estava com frio. Avisei que na semana anterior estive lá. Ela já sabia, o neurologista já havia falado com ela e informou que o exame que fiz de tomografia estava normal. “Deve ser o coração”, eu indagava a médica. “Será um infarto? Pode me falar, não me esconde, por favor.”

Ela me pedia calma e disse que meu coração estava normal. Mas eu não acreditava, afinal, os sintomas eram de infarto. “Ela só pode estar me poupando!” No meio da correria, me deram um “sossega leão”. Não lembro o que era, mas devia ser Rivotril. Cinco minutos depois minha respiração foi ficando menos ofegante e o coração desacelerou. Naquele momento, meu marido já havia chegado e estava comigo na enfermaria. Eu me acalmei…

Fiquei sonolenta por muito tempo e, se não me engano, até peguei no sono. No final da tarde fui liberada. Eu ia para casa, mas o sossego não estava garantido. Eu tinha que saber qual era meu problema! “Obrigada, Senhor, por me dar mais essa oportunidade!”

No próximo post…

No próximo post você vai conhecer a versão de quem estava do outro lado por meio do relato de quem me socorreu naquele dia. Acompanhe!

Acompanhe a série completa: 

Síndrome do pânico parte 1 – relatos de uma paciente antes da crise
Síndrome do Pânico parte 2 – Os primeiros sintomas antes da crise

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2 comentários sobre “Síndrome do Pânico – Parte 3: A primeira crise

  1. Zenilda Rodrigues disse:

    Síndrome do pânico é um tipo de depressão. Não posso ficar triste que fico com descontrole emorcional,as vezes consigo controla lo fico com o corpo dormente as vezes fico sem saber fico esquercida mas é coisas de momento depois lembro tudo isso é depressão ou esta ligada ao pânico acho q isso mim afeta por ser tão sentimental, sei pq começo

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