Síndrome do Pânico parte 2 – Os primeiros sintomas antes da crise

Durante o tratamento contra ansiedade, que no meu caso foi a mola propulsora da Síndrome do Pânico, ouvi uma explicação muito pertinente sobre como funciona nosso corpo, principalmente nosso cérebro. Se você colocar um balde embaixo de uma torneira que está gotejando, o balde vai demorar muito a encher. Mas uma hora ele ficará cheio e na iminência de transbordar. Quando estiver nesse patamar e mais uma gota pingar, pronto, o balde transborda e não aguenta mais o volume de água causado por aquela goteira.

E foi exatamente isso que me aconteceu. Sempre fui muito ansiosa, às vezes até imediatista demais. O tempo todo quero que as coisas saiam do (meu) jeito certo e no (meu) prazo certo. E foi em um desses episódios que “meu balde” transbordou. Na época, agosto de 2015, estava prestes a completar sete meses de casada e morava na casa dos meus sogros enquanto aguardava, ansiosamente, o apartamento ficar pronto. Já estava quase tudo finalizado e faltava apenas a entrega dos armários para eu e meu marido nos mudarmos.

Era terça-feira e eu liguei para o marceneiro perguntando se daria tempo dele me entregar tudo pronto na sexta-feira, como havíamos combinado no fechamento do contrato. Ele me garantiu que sim. No mesmo dia fui ao apartamento e percebi que ainda faltava muito a ser feito. Na quarta-feira pela manhã retornei a ligação questionando se o marceneiro não precisaria de mais alguns dias, pois eu achava que ainda faltava muito armário para montar. A devolutiva foi negativa: ele afirmou que não precisaria de mais tempo. E eu descansei.

Desmarquei todos os meus compromissos do final de semana. Meu plano era limpar a casa na sexta-feira à noite e durante o sábado, para que no domingo eu finalmente me mudasse para a minha tão sonhada casa. Mas as coisas não saíram muito bem como eu havia planejado… Na sexta-feira, às 16h, meu marido me manda mensagem avisando que o marceneiro não entregaria tudo pronto ao final daquele dia e que só finalizaria na terça-feira da semana seguinte. Pronto, o gatilho havia sido acionado.

O gatilho

Quatro dias de atraso na entrega dos meus armários foram suficientes para desencadear um turbilhão de emoções. O final de semana foi um desastre. Eu chorei, briguei com meu marido, tive enxaqueca e fiquei emburrada. “Como assim!!! Quatro dias de atraso??? Ele me falou que não iria atrasar. Eu ainda perguntei duas vezes se ele precisaria de mais tempo. Irresponsável, sem palavra! Eu me organizei para mudar até domingo e agora vou ter que esperar eternos quatro dias?! Ele me paga por isso! Não indico para mais ninguém!”.

Para meu marido – e muito provavelmente para você que está lendo este texto – aquilo era um exagero sem fim! Como um atraso de quatro dias desestabiliza uma pessoa dessa maneira? Isso só poderia ser loucura e ouvi que precisava procurar um psicólogo com urgência. Mas não, eu não era conivente com esse pensamento. “O marceneiro se comprometeu comigo e não cumpriu sua palavra. Se fosse eu, jamais prometeria algo que sei que não conseguirei cumprir! Por que ele faz isso, então?”

Aos trancos e barrancos o final de semana chegou ao fim…

A paralisia facial

Na segunda-feira eu já estava mais calma. Trabalhei normalmente, fui à academia à noite e segui com minha rotina normal. Era por volta de 23h, eu já estava deitada, quando meu rosto começou a formigar somente do lado direito. Mudei de lado, pois podia ser um “mau jeito”. Mas não era, continuei sentindo aquele formigamento. Levantei, olhei no espelho, mas nada de anormal. No outro dia, seguindo minha rotina, fui trabalhar.

Eu já estava imersa no trabalho, quando novamente senti o formigamento do lado direito do rosto. Uma sensação muito estranha, mas ia passar… Não passou. O formigamento ficou mais intenso e passei a sentir a sensação de que meu rosto estava queimando e ficando adormecido. Naquele momento comecei a me preocupar. Fui ao banheiro, olhei no espelho e nada. Tudo normal. Até que eu sorri, intercalando com movimentos de bico para tentar acabar com o formigamento. Foi então que percebi algo errado.

Uma das coisas que mais gosto em mim e que mais chama a atenção das pessoas e as faz se lembrar de mim é o sorriso. Tenho dentes grandes, brancos e bem alinhados. Lábios uniformes que contornam um belo sorriso (e sem módestia! Rs.). Sim, meu sorriso é minha marca registrada. E foi ali, no meu sorriso, que apareceu o primeiro sinal do pânico. O lado inferior direito do meu lábio não se mexia quando eu sorria. Enquanto os outros cantos saiam da zona de conforto para deixar os dentes à mostra, o lábio inferior não se movia do lado direito. Meu sorriso estava deformado!

Retornei á minha sala já com água nos olhos. O formigamento persistia. Minha então líder se ofereceu para me acompanhar ao médico. Corremos para um hospital, mas lá não havia aparato para realizar os exames. A médica tentou me acalmar e sinalizou que era algo ‘leve’ e que podia ser emocional. “Emocional? Entortar a boca agora virou emocional! Me poupe, querida, quero saber o que é isso, e logo!”

Nos dirigimos então para o Hospital Neurológico de Goiânia (GO). Ficamos mais de hora esperando atendimento e a cada minuto meu medo só crescia. “Será que minha boca vai voltar ao normal? Será que é uma paralisia? Ou será algo mais sério?”

Quando fui atendida, o neurologista fez várias perguntas. Contei pra ele do estresse que eu havia passado no fim de semana anterior, mas sinalizei que aquilo não era motivo para algo como o que estava acontecendo. Mas eu estava enganada, tinha tudo a ver!

Fui diagnosticada com paralisia facial leve. Comprei os remédios e comecei a fazer exercícios para que meu sorriso voltasse a ser como antes. Meu lábio começou a voltar ao normal. Vai dar tudo certo! Menos de quatros dias depois, eu vivi o pior dia da minha vida até hoje, a primeira crise de ansiedade.

No próximo post…

No próximo texto da série vou contar como foi a primeira crise de ansiedade que sofri em decorrência do pânico. Vou detalhar como foram as sensações, as emoções e os pensamentos naquele dia, em que eu tinha certeza de que estava morrendo.

Acompanhe!

Síndrome do pânico parte 1 – relatos de uma paciente antes da crise

Síndrome1-fonte_thanhnien-vn

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Um comentário sobre “Síndrome do Pânico parte 2 – Os primeiros sintomas antes da crise

  1. José Carlos Machado Lopes disse:

    Nossa, quem conhece a sua marca registrada, o sorriso, jamais imaginaria que isso pudesse acontecer. Parabéns pela superação do problema!

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