Coerência ética: você pratica aquilo que aconselha?

Começo este texto com uma simples provocação: você pratica aquilo que aconselha? Ou seja, existe uma relação harmoniosa entre aquilo que você fala e faz? Presenciamos, todos os dias, muitas campanhas e poucos movimentos. Diariamente, ouvimos pessoas com muitas certezas, que se apegam às próprias convicções, mas que se apagam quando testadas a ser e a viver o que dizem. Não há em sua conduta uma coerência ética, que é praticar o que ensina; e poucas delas praticam a humildade intelectual, que é perguntar o que ignora.

Desconfio de conselhos e de certezas impostas, principalmente quando quem me aconselha faz parte do meu convívio. A convivência sempre nos revela aquilo que se esconde nos bastidores. Começo a acreditar quando vejo nos atos a existência do fato aconselhado, e a desconfiar quando a aparência é mais valorizada que a essência. Quando isso acontece, não tenho dúvidas, a fala ofuscará a ação. Quando há tempestade demais, há claridade de menos.

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Se a consciência nos define, nossos atos e nossas escolhas nos revelam. A coerência ética começa comigo, segundo Ghandi. Se eu tenho consciência e falo que o desperdício de água é errado, eu tenho que ser exemplo em minha casa, fazendo o uso correto daquilo que eu consumo. Se eu tenho consciência que devo tratar as pessoas de forma respeitosa e sem discriminação, quando eu cumprimento o diretor da empresa e deixo de cumprimentar a faxineira onde eu trabalho, isso não é respeito, é estratégia e falta de coerência ética. É com as pessoas mais simples que começa o teste ético que Ghandi nos convida. Eu tenho que fazer da minha vida um exemplo.

Onde não existe a prática alinhada com os valores que defendemos jamais vai existir credibilidade. Somos credíveis quando existe coerência entre o que falamos e aquilo que fazemos. Como temos uma enorme necessidade de falar aquilo que somos e fazemos, seremos o tempo todo observados em relação àquilo que falamos e praticamos. Aquele ou aquela que tem consciência disso, fala menos e faz mais, e aquilo que faz é reflexo dos seus pensamentos. Quando pensamos menos, adjetivamos mais. E boca que fala demais, quase sempre é porta de abismo para a incoerência e a hipocrisia.

Não estou tentando convencer ninguém a ser coerente o tempo todo, mas da importância de buscar o equilíbrio, de se viver uma coerência ética, praticar aquilo que ensina, de caminhar o caminho que indica. Obviamente, não precisamos ignorar nossas incertezas, elas fazem parte do nosso crescimento. O que desprezo são as insanidades maquiadas de certezas. Aquele ou aquela que sobe no palco e faz seu show politicamente correto, mas que nos bastidores ou longe dos holofotes se mostra desprezível e desonroso.

Por Valdimar Souza

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