Caminhos de reciprocidade: as consequências do “euísmo”

Ando mesmo estarrecida com a questão da desumanidade. Pessoas se tratam como objetos, amores se tratam como moedas de troca e parece mesmo que estamos deixando de ser pessoas. Com todos os problemas vivenciados no cotidiano, vamos, ao mesmo tempo em que vivemos pensando, reelaborando pensamentos, sentimentos e atitudes. Um mundo onde pais jogam filhos pela janela, pessoas matam por nada ou mesmo por uma simples discussão calorosa no trânsito. Por onde vamos continuar caminhando?

Insisto e persisto em não perder meus valores humanos: de respeito e valoração do próximo, dos gestos simples e adocicados pelo simples prazer de querer arrancar um sorriso ou mesmo experimentar uma sensação de contentamento. Mas confesso que tenho me sentido muito só neste mundo-homem – mundo-cão não seria adequado aqui, afinal, exemplo de fidelidade e perdão são os nossos cães.

A cegueira humana instalada vai sorrateiramente transformando valores em estratégias de competição vivencial. É o egoísmo sobrepondo a relação humana, as trocas, as possibilidades de uma construção a dois, três ou com milhares. Para aonde estamos indo?

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Mães ensinam os filhos a cultura da violência em oposição à paz, familiares se torturam numa disputa árdua por valores materiais, homens e mulheres digladiam suas carências na corresponsabilização de suas frustrações. Estamos na sociedade do “euísmo”.

Vejo nas simples atitudes do dia a dia o descompromisso humano. Será esse o fim? Ou o começo?

No meu consultório, diariamente vejo a dor, a solidão, o apego e as consequências do “euísmo”. Sofremos calados e emudecidos como escudo a uma não permissão de uma vida compartilhada. Queremos, mas não sabemos como, sem nos perdermos, sem fazer uso da dose diária de orgulho e de onipotência.

Precisamos despir de nossas fantasias de deuses e deusas e assumir a nossa real condição de humanos: carentes, frágeis, fortes, mas primordialmente humanos. De nada adianta trocar presentes, palavras ensaiadas, atitudes visíveis aos olhos de outrem, se nossa alma estiver trancada, suja e embolorada. É preciso ampliar a visão, repensar o objetivo de nossa existência e principalmente resgatar o humano que existe em nós, só assim seremos capazes de construir um mundo mais feliz, mais mútuo, mais fraterno.

Por Mara Suassuna

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