Sobre a verdadeira beleza da vida: o “ipê amarelo” e a “pata de vaca branca”

Ah! Como é lindo e exuberante um ipê amarelo! Parar e ficar admirando-o, quem nunca? Tão belo, tão esplendoroso! Brilha e grita sua beleza aos nossos olhos. Encanta a todos que por ele passam. É verdadeiramente um espetáculo vibrante e cheio de vida!

Na porta da minha casa tem um lindo pé de ipê. E todos os anos, desde que nos mudamos, fico na expectativa, aguardando ansiosamente para vê-lo florir, mas isso nunca acontece. Fico sonhando e imaginando qual será a sua cor e, secretamente, torço para que seja amarelo, o meu preferido. Sou apaixonada por ele! Costumo brincar que ele chega a ser fosforescente!

E chega, enfim, mais uma temporada. E eu me preparo toda para vê-lo, finalmente, florido. O tempo passa e nada, mais uma vez!

E, neste ano, foi então que algo inesperado me aconteceu. No auge de minha frustração por terminar mais uma temporada e o meu ipê não florir, estava observando-o e questionando-o carinhosamente, quando algo, bem a minha frente, pela primeira vez chamou minha atenção:

Uma pequena árvore, TOTALMENTE carregada com lindas e delicadas flores brancas. Fiquei paralisada ali por alguns minutos, admirando fascinada aquela beleza, tão silenciosa e profunda. E me perguntei: “Como foi que não vi isso antes?”

E foi aí que me dei conta de que todos esses anos esperei tanto para ver o ipê amarelo florir que fechei meus olhos e me “tornei cega” para muitas outras belezas da natureza que estavam bem a minha frente.

Então, vários questionamentos começaram a surgir como um turbilhão em minha mente: quantas vezes em minha vida busquei tanto ser um “ipê amarelo” e, quando não consegui, me decepcionei e me entristeci, o que me impediu de ver o quanto fui uma linda “flor branca”? Quantas vezes VOCÊ faz isso em sua vida?

Quantas vezes busquei no meu esposo, visualizar seus lindos “ipês amarelos” e deixei de ver quantas belas “flores brancas” ele produz e me entrega todos os dias com tanto amor e carinho?

E VOCÊ, quantas vezes já fez isso?

Quantas vezes criei enormes expectativas em torno de amigos, trabalhos, eventos e tantas outras coisas e enquanto esperava por exuberantes “ipês amarelos” perdi a chance de me encantar com tantas singelas e puras “flores brancas” que me eram oferecidas? Me doeu pensar em quantas maravilhas eu já deveria ter perdido a oportunidade de vivenciar em minha vida enquanto ficava aguardando por esplendorosos “ipês amarelos”!

E VOCÊ?

Quantas vezes quis servir ao meu Deus com tanta excelência e dedicação extrema, me preocupando e desdobrando com tanto esforço, buscando ser um grandioso “ipê amarelo”, e não percebi que tudo que Ele esperava e queria de mim era que eu lhe entregasse minhas mais silenciosas e humildes flores brancas?

Essa doeu… todas doeram… chorei longamente…

Alguns dias depois, para me surpreender ainda mais, descobri que aquelas flores brancas eram chamadas popularmente de “Pata de Vaca”. Nome bastante humilde, como elas, eu diria. E adivinhe? Descobri também que essas flores têm propriedades medicinais e curativas! Ou seja, além de belas, silenciosas e simples, ainda são capazes de curar doenças.

Pata de vaca

E agora eu te pergunto: E aí? O que você prefere ser? Um lindo “Ipê Amarelo” ou uma medicinal “Pata de Vaca Branca”?

É claro que o ipê amarelo tem sua importância na natureza e vou continuar admirando-o sempre! Porém, eu me recuso a viver minha vida, de agora em diante, somente em função de sua beleza e grandiosidade.

A partir de agora, EU QUERO SER UMA SINGELA “PATA DE VACA BRANCA”, com todas as suas propriedades medicinais!

E você?

Hino a Humildade
“O humilde não se envergonha de si nem se entristece.
Não conhece complexos de culpa, nem mendiga autocompaixão, não se perturba, nem se encoleriza e devolve o bem pelo mal.
Não busca a si mesmo, porque vive voltado aos demais.
É capaz de perdoar, fecha as portas ao rancor.
Um dia após o outro aparece ante todos os olhares vestido de doçura e paciência, mansidão e fortaleza, suavidade e vigor, maturidade e serenidade.
E, sem possibilidade de mudança, habita permanentemente na morada da paz…”
(Frei Inácio Larrañaga)

Por Viviane Guimarães

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